Documentos, fotos, papéis, músicas, pessoas... vestígios que tornam (ir)reais as lembranças que ficam em nossa mente, que tratamos de reinventar, esquecer conforme o tempo ou até suprimir, caso estas lembranças não sejam tão agradáveis assim. Na história de hoje, as lembranças que relato (e que fazem parte da minha memória) foram e serão para todo o sempre INESQUECÍVEIS! Quando olho para as fotos que tirei durante os seis meses que vivi em Portugal dá a impressão de que tudo não passou de um sonho. Essa sensação se torna mais forte, porque como diz o Lulu Santos "Hoje o tempo voa/ escorre pelas mãos", tudo passou muito rápido, não é a toa que hoje faz exatamente um ano em que eu pegava um avião rumo a Porto, Portugal, para viver os seis meses mais inesquecíveis de toda a minha vida.

Portugal foi o canal para eu realizar meus sonhos de menina, de adolescente e de futura historiadora. As experiências que adquiri servirão para minha vida pessoal e profissional. A sensação de entrar na sala de embarque sem a companhia calorosa e protetora dos meus pais, me deu uma sensação de insegurança, mas ao mesmo tempo de "é, a partir dessa sala que eu literalmente vou ter que me virar sozinha". A sensação de andar de avião e acordar com a visão das nuvens foi a primeira experiência de aventura, de que muita coisa ainda estava por vir e para ser vivido. O nervosismo de chegar às 13h e 31min e saber que o voo para Porto tinha saído há 1 min atrás (isso mesmo, 1 min!), foi outra sensação interessante. Passar nove horas no aeroporto de Lisboa e estranhar o sol que ainda estava forte às 20h, deixou mais confusa na minha mente a sensação de "desorientação do tempo", de estar em um lugar totalmente diferente do qual eu nasci, enfim... as primeiras sensações de muitas!
Depois, sair com um mapa na mão, conhecer monumentos, museus, ruas, pontos turísticos, viajar de avião, correr no aeroporto para não perder o voo, conhecer estudantes de outras nacionalidades e curtir as baladas do momento, estudar, cozinhar, fazer compras, comer produtos da marca Pingo Doce, falar ilimitado pelo Moche, pagar aluguel ao velhinho português, cabisbaixo e carrancudo do Seu Ernesto, sentir frio eram coisas que faziam parte do meu cotidiano.
Até hoje quando olho as fotos de Atenas, eu busco na minha memória um cenário em tons de sépia (devido a ação do tempo) de minha pessoa, quando criança olhando o livro de História para o monumento Parthenon e eu pensava: UM DIA EU AINDA VOU A ESTE LUGAR, mas achava que era um sonho tão distante... mal sabia eu que, quando queremos mesmo realizar algo em nossas vidas, bastava somente acreditar e reunir forças para conseguir concretizá-los e quando eu REALMENTE VI foi como se naquele momento eu virasse uma menina de 6 anos que vislumbrava em sua mente aquele monumento ali na minha frente. E o cenário, em tons de sépia ganhou cores, se tornou real bem diante dos meus olhos.
Conhecer o Louvre e estar de frente para a mulher que nos segue com os olhos ( a Monalisa), nossa... foi outro sonho realizado. Me senti literalmente no filme O Código daVinci. Subir a Torre Eiffel, visitar o túmulo do escritor que eu mais lia na minha adolescente ( Balzac) fizeram de mim a pessoa mais feliz e realizada do mundo!
E mais uma vez uso a música para expressar tudo isso e muito mais que eu tenho a dizer dos seis meses que eu vivi: " São momentos que eu não esqueci/ Detalhes de uma vida, histórias que eu contei aqui" (...) Roberto Carlos.
E é com a alternância em tons coloridos e de sépia que eu expresso a saudade que eu sinto de tudo isso. O mais engraçado é que a gente chora antes de partir (por insegurança, por deixar tudo e todos para trás por seis meses, por achar que não ia se adaptar) e chora depois que volta, por recordar que tudo foi intenso, instigante, de tirar o fôlego, de meter medo... mas que nos deixa com uma sensação de eu quero voltar, eu quero viver tudo aquilo que eu vivi. E o futuro? Como será daqui para a frente? Isso eu não sei. Mas eu tenho certeza que os tons coloridos e de sépia ainda vão se repetir muito na minha vida, basta eu ter a mesma força de vontade que eu tive para realizar os meus sonhos em Portugal, e porque não dizer em uma pequenina parte da Europa.
Este texto eu dedico a todos os intercambistas do Programa de Bolsas Luso - Brasileiro Santander universidades que entendem perfeitamente o que eu acabei de relatar, a outros estudantes de outros programas de intercâmbio, aos que querem fazer intercâmbio, aos que foram por conta própria, a todos que leram e não leram este relato, aos que querem desbravar, conhecer outros países e culturas!
Para me conhecer melhor acessem:
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=ls&uid=15194316215991459539
Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001762678129
Twitter: @avohanne.











